*** Josi ***

Friday, July 14, 2006

Metformina utilizada para o emagrecimento? será?

O cloridrato de metformina tradicionalmente é utilizado por diabéticos do tipo 2, ou seja não dependentes de insulina. Não complicado por cetoacidose (ocasionada pela poliúria), quando o controle da doença é impossível apenas com dieta e exercicios físicos. Ou ainda em casos de falha primária ou secundária das sulfoniuréias, podendo ser usado sozinho ou em associação. A metformina é também utilizada como complemento da insulinoterapia nos casos de diabete insulino-resistente, bem como na síndrome de ovário policistico.
A metformina é uma biguanida e apresenta mecanismo de ação diferente das sulfoniluréias. Atua reduzindo a neoglicogênese e aumentando a sensibilidade à insulina, o que promove a diminuição dos níveis glicêmicos. Promove aumento da absorção periférica de glicose, essencialmente em nível muscular e da sua utilização. Ao contrário das sulfoniluréias, não provoca hipoglicemia e não causa a hiperinsulinemia. O tratamento com metformina diminui ou estabiliza o peso corporal. devido ao seu efeitoanorexígeno e parece ser favorável à redução das taxas de triglicerídeos em diabéticos com dislipidemia dotipo IIb, III ou IV, acompanhada de redução da colesterolemia, quando esta se encontra elevada no início dotratamento. A metformina reduz significativamente as complicações cardiovasculares e a mortalidade por doenças cardiovasculares em pacientes diabéticos tipo 2 com sobrepeso e obesos, independente de seu efeito antidiabético. Nos pacientes em que não se obtém um controle adequado do nível de glicose apenas com a monoterapia de cloridrato de metformina, a associação com uma sulfoniluréia ou com insulina pode resultar em efeito sinérgico, dado que os mecanismos de ação de tais medicamentos são diferentes e complementares. Estudos recentes têm mostrado a utilidade do cloridrato de metformina em síndromes que apresentam resistência à insulina, como a síndrome do ovário policístico, dada a sua evidente ação de aumento da sensibilidade à insulina e consequente redução da hiperinsulinemia.
O cloridrato de metformina é absorvido no intestino delgado (cerca de 50% a 60%). Liga-se muito pouco às proteínas e sua fração livre representa cerca de 90% de sua concentração plasmática. É eliminado sem qualquer metabolização hepática, por via renal (cerca de 90% é eliminado em 12 horas; clearance de440 ml/min). A concentração sanguínea máxima é atingida em 2,25 ± 0,44 horas. A meia-vida de eliminação é de 6,2 horas (eliminação inicial entre 1,7 e 3 horas e terminal entre 9 e 17 horas).
Este medicamento promove tanto a perda de peso quanto a redução da gordura visceral - aquela que se concentra ao redor do abdômen e que, como mostram pesquisas médicas, faz um mal danado à saúde ao multiplicar os riscos cardíacos. "É temerário prescrever a metformina apenas como remédio para emagrecer, porque ela não é recomendada para esse fim", afirma o endocrinologista Walmir Coutinho, vice-presidente da Federação Latino-Americana de Sociedades de Obesidade. Ainda que seus efeitos colaterais não sejam severos (diarréia é o mais freqüente), falta atestar sua segurança em pacientes que não têm diabetes.A adoção da metformina nos programas de emagrecimento é reflexo das últimas pesquisas sobre os laços (bastante estreitos) entre diabetes e obesidade. "Descobriu-se que o hormônio insulina é um dos fatores mais importantes para o desenvolvimento da obesidade", diz o endocrinologista Alfredo Halpern, da Universidade de São Paulo (USP). A insulina é responsável por retirar o açúcar da circulação sanguínea e jogá-lo para dentro das células, onde é transformado em energia. Nos portadores de diabetes tipo 2, porém, as células não respondem à ação do hormônio, o que exige que o pâncreas produza grandes quantidades dele. A obesidade surge como subproduto desse processo, já que, em demasia, a insulina faz com que o organismo produza mais gordura. A metformina age aumentando a sensibilidade das células a esse hormônio. Ou seja, evita seu acúmulo no sangue.A perda de peso proporcionada pela metformina varia de 5% a 7% do peso inicial, e a redução da circunferência abdominal pode chegar a 3 centímetros. A metformina só funciona, contudo, quando acompanhada de uma dieta pobre em alimentos de alto índice glicêmico, como os carboidratos. Isso porque, depois de ingeridos, esses alimentos são rapidamente transformados em glicose - e, em resposta ao aumento da presença desse açúcar, o organismo produz mais insulina, o que pode neutralizar o efeito do remédio. "É preciso também praticar exercícios físicos, para que os músculos queimem o açúcar circulante no organismo", diz o endocrinologista Geraldo Medeiros, também da USP. Como todos nós sabemos, nenhum medicamento faz milagres, sem a associação de uma dieta equilibrada e exercicios físicos. Então nada de sair por ai ingerindo 1g de metformina por dia.

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